Waka waka: Cape Town Stadium e a Copa que não acabou

Conhecer estádios está no topo das minhas listas de afazeres em viagens. Não foi diferente nas minhas passagens pela África do Sul, onde visitei alguns palcos da Copa do Mundo de 2010. E o primeiro foi o Cape Town Stadium, localizado no bairro de Green Point.

Precisamos aceitar: o gelado Cape Town Stadium parece feito sob medida para vuvuzelas

O Cabo dos ventos uivantes

Fui rápido. Logo no 11º dia de intercâmbio na Cidade do Cabo, eu já estava congelando no Cape Town Stadium – que ostentava o nome do seu bairro, Green Point, na alcunha usada pela Fifa durante a Copa do Mundo de 2010.

Embora eu tenha chegado para a festa com 13 meses de atraso, alguns elementos permitiam que eu sentisse um pouquinho do clima do evento. Como era inverno, pude experimentar o frio que vi pela televisão no Mundial e na Copa das Confederações de 2009. Mas, o que deu a ignição na máquina do tempo foi a presença das vuvuzelas.

A grande lição daquele duelo entre Ajax Cape Town e Maritzburg United foi entender que, quando se trata dessas cornetas, quantidade não importa. Numa partida que recebeu menos de 3 mil pessoas, os poucos instrumentos presentes foram suficientes para fazer aquele barulho ecoar por alguns dias na minha cabeça.

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Por sinal, a acústica do CT Stadium parece funcionar melhor para vuvuzelas do que para grandes shows. Naquele jogo, eu conseguia ouvir com clareza uma corneta tocada do outro lado da arquibancada. Entretanto, nas apresentações de Kaiser Chiefs e Foo Fighters, anos depois, precisava esperar longos segundos para identificar as músicas que as bandas tocavam.

Cornetagem à parte, aquela primeira experiência num estádio “padrão Fifa” funcionou como um cartão de visitas de Cape Town. Como os principais pontos turísticos da Mother City, o local recebe um vento forte e gelado que não pode ser subestimado. Já os torcedores do Ajax mostraram os sorrisos e acolhida que os brasileiros tradicionalmente recebem naquela cidade. A simpatia era recíproca. Difícil não simpatizar com uma torcida que cabe num Fusquinha, mas é bem animada.

Nível técnico

O espectador que compra um ingresso e espera uma final de Liga dos Campeões vai levar um nó tático. Dos cinco jogos que fui na África do Sul, apenas um apresentou um nível técnico satisfatório: o confronto entre os fortes Kaizer Chiefs e Bidvest Wits, em 2015.

O Chiefs, por sinal, é um dos poucos clubes capazes de encher estádios na África do Sul, ao lado de Orlando Pirates e, vá lá, o Mamelodi Sundowns. Até hoje não entendi o porquê de os jogos serem tão vazios. Acho uma pena isso ser regra num campeonato bem organizado, com muitos estádios de primeira.

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Assim, a atmosfera nas partidas sem clubes de massa costuma ser chocha, capenga, frágil e inconsistente. Para o coitado do Ajax, atuar no Cape Town Stadium é como jogar sempre fora de casa. A torcida pequena faz sua parte, e ainda conta com o reforço de turistas e estudantes estrangeiros. Todavia, aquele grande mosaico cinza, num estádio capaz de receber 55 mil pessoas, não deve ser muito estimulante para os atletas.

Talvez o grande barato dos duelos com menos apelo seja o fair play dos torcedores. Nos jogos em que compareci, cansei de avistar gente com camisas de equipes sul-africanas que não estavam em campo. E não notei nenhum sinal de tensão.

O ano que não acabou

Das Copas do Mundo que acompanhei, a da África do Sul foi a primeira que emplacou o pacote completo de branding. Todo mundo sabia o nome da bola oficial e muitos até conheciam a graça do mascote, Zakumi. As figurinhas foram a febre usual. Por sua vez, a música-tema batizou alguns álbuns de orkut e Facebook de intercambistas e viajantes.

Até hoje, qualquer fragmento daquele evento me provoca um pico de nostalgia durante as viagens ao país. O “gatilho” toma formas variadas. Vai desde postes com motivos futebolísticos numa cidadezinha perto do Kruger National Park até o vídeo promocional do Turismo da Cidade do Cabo, exibido no telão do Cape Town Stadium antes das partidas. Uma camisa do Piqué, do Barcelona, para quem adivinhar qual a canção que eles usavam.

Há também aqueles elementos que só um(a) viciado(a) no esporte é capaz de identificar – e achar mágico. Lembro da minha alegria ao avistar o estádio de Nelspruit numa estrada da província de Mpumalanga. Um sentimento parecido bateu recentemente, quando flagrei uma referência à Copa no Centro de Convenções de Durban. O palco da Indaba recebera o sorteio dos grupos do Mundial.

A atmosfera tardia do Mundial também é sentida nas baladas. É engraçado. O clima na pista muda nos primeiros acordes de “Waka Waka (This time for Africa)”. Algumas pessoas até fazem a coreografia do clipe. O número de “uhu’s” aumenta. Você percebe como é curioso ouvir a canção no país que sediou o evento. E é aí que ela deixa de ser a “música da Copa” e, meio que à força, vira uma das trilhas sonoras da sua viagem.

Serviço

O Cape Town Stadium fica no bairro de Green Point, junto ao complexo do Waterfront, numa área mais central da cidade.

O estádio é casa de duas equipes da primeira divisão do Campeonato Sul-Africano, o Ajax Cape Town e o Cape Town City.

Fora do futebol, o CT Stadium recebe eventos como grandes shows e a etapa sul-africana do circuito mundial de rugby 7s.

INGRESSOS: Os lugares mais baratos custam, em média, 50 rand (R$ 12). Eles podem ser comprados no hipermercado Checkers. Todas as unidades possuem uma central de vendas perto da entrada.

Outra opção é o site da Computicket. Para comprar nele, é preciso um número de celular local.

COMO CHEGAR: Ônibus MyCiti (há uma estação na frente), Uber ou a pé, caso você esteja no Centro, Sea Point, Bo-Kaap e, obviamente, Green Point.

SHOWS: É uma boa acompanhar a programação no site da Computicket.

VISITAS: O Cape Town Stadium conta com um tour guiado, realizado em dias úteis. Com duração de 1h, ele é feito em três horários (10h, 12h e 14h). Veja mais informações neste link da Prefeitura.

Veja também:

Pêndulo/Big Rush: Pulando do alto do estádio de Durban

Dicas de Cape Town: Boulders, a praia dos pinguins

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